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O bilinguismo e as crianças com Autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é considerado um transtorno de neurodesenvolvimento, no qual os sintomas surgem desde os primeiros meses de vida e em que as principais funções afetadas são: comunicação e interação social; e restrição de interesses e atividades. Sendo assim, há uma alteração nas conexões entre os neurônios, o que dificulta a interação social de forma apropriada.

Dentre as dificuldades apresentadas pelas crianças com TEA, estão: dificuldade no contato ocular; de início e sustentação de interações sociais; no uso de expressões faciais; de expressar e compreender emoções; de aproximação espontânea; de variar o brinquedo/brincadeira; de adaptar-se a novas situações sociais; e de colocar-se no lugar do outro.

Dessa forma, é essencial a inclusão da criança no meio educacional. Isto porque este é um dos principais ambientes sociais que proporcionam a interação com outras crianças, de mesma idade, bem como o desenvolvimento da aprendizagem, da compreensão das regras sociais e das ferramentas para expressar de forma adequada seus sentimentos e emoções. Adicionalmente, o ambiente educacional é propício para promover a autonomia do indivíduo, a aquisição e ampliação de habilidades e interações sociais, além de auxiliar nas rotinas diárias.

Quando falamos de aprendizagem, não podemos deixar de citar o desenvolvimento de uma segunda língua como uma importante medida no aprimoramento das habilidades linguísticas gerais dos indivíduos. No cenário atual, verifica-se a constante valorização do uso de duas ou mais línguas no mercado de trabalho, na educação e socialização de indivíduos na fase adulta. No entanto, o aprendizado de uma língua estrangeira poderá ser um grande obstáculo na idade adulta, motivo pelo qual foram desenvolvidos diversos estudos para averiguar as consequências desse aprendizado.

Alguns pesquisadores defendem que ser bilíngue propicia ao indivíduo o desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, uma boa oralidade, estimulando simultaneamente a comunicação. Além disso, tais pesquisadores também acreditam que o bilinguismo contribuiria positivamente no desenvolvimento das funções executivas, na inclusão social e educacional e no aumento da flexibilidade cognitiva do indivíduo bilíngue.

Nesse sentido, adaptando-se essas constatações à realidade das crianças com autismo, o bilinguismo, normalmente atingido com a língua inglesa, é muito importante para ajudar a criança em diversos aspectos, dentre eles, no desenvolvimento da linguagem – imprescindível no caso da criança com autismo. O ensino de língua inglesa também tem sido reconhecido, atualmente como fator de inclusão social e educacional, o que logo nos remete a uma exposição aos mais diferentes tipos de aprendizes, dentre esses, alunos com autismo.

Após aquisição da linguagem materna, aprender uma nova língua pode trazer diversos benefícios à pessoa com autismo.

Autoras: Mayra gaiato, Ana Lucia Kozonara e Mariana Richetto

Referência:

Bialystok E. Cognitive complexity and attentional control in the bilingual mind. Child Development. 1999;70:636–644.

Bialystok E, Martin MM. Attention and inhibition in bilingual children: Evidence from the dimensional change card sort task. Developmental Science. 

Bialystok E, Craik F, Luk G. Cognitive control and lexical access in younger and older bilinguals. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition.

Carlson SM, Meltzoff AN. Bilingual experience and executive functioning in young children. Developmental Science. 

Bialystok, E. Bilingualism: The good, the bad, and the indifferent. Bilingualism: Language and Cognition. 2009;12: 3–11. https://doi.org/10.1017/s1366728908003477

Coscia MR. As intervenções do professor na aprendizagem de crianças com autismo no Ensino Fundamental I. 2010. 44f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Distúrbios de Aprendizagem). 

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Gomes MAS, Balbino ES, Silva MK. Inclusão escolar: um estudo sobre a aprendizagem da criança com autismo. 

Gonzalez-Barrero AM, Nadig AS. Can Bilingualism Mitigate Set-Shifting Difficulties in Children With Autism Spectrum Disorders? 

Freitas ARW. O desenvolvimento da linguagem no autismo. 2012. 40f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em psicologia). 

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Comentários (2)

  • Samara Santos Responder

    Mas meu filho teve acesso a vídeos em inglês, facilidade em entender, e mesmo que tudo seja reforçado em português, agora, aos quatro anos ele soletra palavras de livros escritos em português, mas em inglês. Canta, repete e fala os números em inglês. Faz fono, TO, ABA /Denver todos os dias, estamos sem saber o que fazer.
    Pode me ajudar!! Obrigada

    fevereiro 22, 2019 at 11:18 am
    • nativo Responder

      Nós Recomendamos a você procurar um especialista como a Mayra Gaiato, ela pode lhes ajudar.

      março 21, 2019 at 12:54 pm

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